XXVIII Colóquio de Outono Narrativas e Representações Transculturais do Amor  - Call for Papers

Data de publicação: 16/09/2026

XXVIII Colóquio de Outono Narrativas e Representações Transculturais do Amor - Call for Papers

Estudos recentes recolocaram as questões do afeto e da emoção no centro da investigação humanística. Os estudos sobre o amor, em particular, assentam agora em duas orientações complementares — a teoria dos afetos (que historiciza e politiza o sentimento) e a ciência afetiva propriamente dita (que considera as dimensões empíricas, cognitivas e fisiológicas) — e tratam o amor tanto como uma experiência individual ou íntima como também como um fenómeno que é mediado socialmente.

O amor, sendo simultaneamente universal e culturalmente específico, tem assumido igualmente uma pluralidade transcultural e histórica, sujeita a mudanças económicas, sociais e tecnológicas (incluindo os meios digitais) que remodelam a forma como o amor é narrado e praticado (ciberamor, relações humano-máquina).

O amor não é meramente privado: está inserido em formações ideológicas e em comunidades emocionais que mobilizam valores partilhados. Os estudos feministas, queer, antirracistas e sobre deficiência há muito que destacam o afeto como algo de político; o amor pode funcionar tanto como um instrumento de dominação como um recurso de crítica e solidariedade.

Em suma, o conceito de amor transcende fronteiras culturais, linguísticas e temporais, exprimindo-se de formas distintas, mas interligadas, nas sociedades humanas. Desde mitologias antigas e filosofias clássicas até culturas digitais contemporâneas, o amor tem sido narrado, teorizado, incorporado e representado em formas que revelam impulsos universais e significados culturalmente específicos.

Nesta XXVIII edição do Colóquio de Outono convidam-se académicos de todas as origens e áreas a explorar as narrativas e as representações transculturais do amor, desde as Civilizações Antigas até ao século XXI, com um interesse particular na forma como o amor é conceptualizado, traduzido e representado em diferentes culturas, períodos históricos e media.

O principal objetivo é promover diálogos interdisciplinares que iluminem as interseções do amor com questões de identidade, poder, migração, media e representação artística. Ao examinar como o amor viaja – através de fronteiras, géneros e tecnologias – procura-se compreender como este se torna um espaço de negociação, resistência, imaginação e transformação.

Fica assim o convite à submissão de propostas de comunicações e/ou painéis que investiguem o amor como um fenómeno pessoal, transcultural, histórico e político.

Serão bem-vindos contributos que aliem análises de índole teórica a especificidades empíricas ou textuais e que abordem, entre outras possíveis, as seguintes questões:

  • Como é que os conceitos e as práticas do amor se transformaram ao longo de diferentes períodos históricos e contextos culturais?
  • De que maneira é que a teoria dos afetos e a ciência dos afetos se complementam ou se contrapõem no estudo do amor?
  • Como é que género, raça, classe, sexualidade, religião e colonialidade moldam as representações e performances do amor?
  • Como é que a migração, a diáspora e os media transnacionais reconfiguram os vínculos íntimos e as comunidades afetivas?
  • Quais são os potenciais éticos e políticos do amor, designadamente a sua capacidade de promover emancipação, solidariedade ou dominação?
  • Como é que as novas tecnologias (aplicações de encontros, companheiros virtuais, IA) transformam a experiência e o discurso sobre o amor?

Incentivamos, em particular, propostas interdisciplinares que historicizem o amor, considerem práticas corporificadas e mediadas e expandam o cânone para além dos paradigmas ocidentais.

Campos de investigação

1. Estudos Literários e Culturais

2. Filosofia e Ética

3. Antropologia e Sociologia

4. Media, Cinema e Estudos Digitais

5. Género, Sexualidade e Estudos Queer

6. Estudos Performativos e Artes Visuais

7. Estudos Religiosos e Mitológicos

Organização

Comissão Organizadora

  • Mário Matos (UM/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Jaime Costa (UM/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Paula Guimarães (UM/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Inês Tadeu (UMadeira/CEHUM/NETCult)
  • Viviane de Almeida (CEHUM/NETCult)
  • Cláudia Barros (CEHUM/NETCult)

Comissão Científica

  • Adriano Cordeiro (CEHUM/NETCult)
  • Alexandra Abranches (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Amélia Carvalho (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Ana Bessa Carvalho (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Ana Gabriela Macedo (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Ana Ribeiro (UMinho/ELACH/CEHUM/PLP)
  • Ângelo Martingo (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • António Freitas (CEHUM/NETCult)
  • Bernardo Vasconcelos (UMadeira/CEHUM/NETCult)
  • Carlos Pazos-Justo (UMinho/ELACH/CEHUM/Galabra)
  • Cristina Álvares (UMinho/ELACH/CEHUM/Grupo2i)
  • Cristina Flores (UMinho/ELACH/CEHUM/LTE)
  • Elisa Lessa (UMinho/ELACH/CEHUM/GIARTES)
  • Eunice Ribeiro (UMinho/ELACH/CEHUM/Grupo2i)
  • Filipe Couto (Universidade Nacional Timor-Lorosae/CEHUM/NETCult)
  • Francesca Rayner (UMinho/ELACH/CEHUM/GIARTES)
  • Georgina Abreu (CEHUM/NETCult)
  • Idalete Dias (UMinho/ELACH/CEHUM/GHD)
  • Inês Tadeu (UMadeira/CEHUM/NETCult)
  • Isabel Ermida (UMinho/ELACH/CEHUM/EHUM2)
  • Jaime Costa (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • João Marcelo Martins (UMinho/ELACH/CEHUM/GELA)
  • Katarzyna Anna Pisarska (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Luís Pimenta Lopes (UMadeira/CEHUM/EHUM2M)
  • Margarida Pereira (UMinho/ELACH/CEHUM/GAPS)
  • Maria Aldina Marques (UMinho/ELACH/CEHUM/PraDIC)
  • Mário Matos (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Nadejda Machado (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Orlando Grossegesse (UMinho/ELACH/CEHUM/EHUM2M)
  • Paula Guimarães (UMinho/ELACH/CEHUM/NETCult)
  • Pilar Barbosa (UMinho/ELACH/CEHUM/LTE)
  • Sérgio Sousa (U. Macau/CEHUM/PLP)
  • Sílvia Araújo (UMinho/ELACH/CEHUM/GHD)
  • Vítor Moura (UMinho/ELACH/CEHUM)
  • Xaquín Núñez Sabarís (UMinho/ELACH/CEHUM/Grupo2i)

Informação adicional disponível no site oficial do evento.